quinta-feira, 14 de abril de 2011

Guia



Esses dias vi um anúncio de guia por Paris. Um guia que te acompanha, ele não te leva, não te transporta, ele te acompanha. Promete conhecer muito da cidade e te instruir sobre os melhores lugares, para visitar, comprar e comer.


Deixa eu falar uma coisa. Eu acho isso um mau negócio para os turistas.


Desculpem-me os guias, mas eu acho mesmo uma furada.


É claro que cada um tem um estilo de viagem e de repente a sua viagem é essa. Mas a viagem que eu gosto e prego, não tem nada a ver com isso, não. E eu explico já, porque:


1) Paris é uma cidade MUITO, mas MUITO fácil de andar. Não tem erro.


2) A grande maioria dos pontos turísticos (se não todos eles, porque eu não conheço tudo) contam com acesso privilegiado. Você não faz nenhum esforço para alcançá-los.


3) A cidade é muito gostosa e oferece zilhares de opções para comer e comprar. Eu não perdi meu tempo em nenhum lugar que escolhi para comer na cidade (e olhe que eu fiz isso em vários lugares diferentes). Tudo bem, há lugares bons e outros melhores, mas para mim, faz parte da viagem descobrir essas opções e carregá-las para sempre no coração como uma feliz descoberta.


4) Como eu disse antes, estou falando do meu estilo de viagem e nele não tem muito espaço para compras. Eu sempre gosto de procurar coisas diferentes, mas elas surgem no caminho dos meus passeios. Não perco um dia inteiro à caça de coisas para comprar (já fiz isso! Never more!), por isso, não me interesso por endereços de compras.


5) Além disso, viajo sempre com meu marido. Não quero uma terceira pessoa nesses momentos. É muito bom curtir a nossa intimidade e fazer as coisas no nosso tempo, do jeito que quisermos.


Por essas e outras, acho uma furada pagar dezenas de euros pela companhia de uma pessoa que promete te mostrar lugares legais, numa terra repleta deles. C’est pas nécessaire.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Coca-cola


Coca-cola, em versão normal ou zero. 4 euros. Em um bistrô em Paris, pertinho de você.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Em um bistrô em Paris...


Sentada junto à janela do bistrô, com o almoço e uma taça de vinho, dá para ver a vida parisiense passar:


Passa a senhora apressada, com o casaco voando ao vento e os olhos no chão. Tinha ares de mãe de família, pensando nos afazeres que lhe esperavam.


Passa a mocinha bonita. Com suas pernas longas combinando a cor das meias com o suéter do cachorro, afinal, estava frio.


Passa o casal de namorados. Ah! Isso é tão Paris... beijinhos e cochichos a caminho da felicidade.


Passa o turista. Perdido, consultando seu mapa, procurando as placas, aéreo.


Passam as amigas conversando. O francês é rápido e pronunciado com força. Parece haver problemas com o marido ou seria o irmão? Não dá para saber. Seguem alheias a tudo à sua volta.


Passa a senhorinha. Carrega sua sacola de compras, com frutas e verduras. Quando vejo os idosos, sempre me pergunto: será que sempre moraram aqui? Quanto será que presenciaram da História?


Passa o casal de meia-idade no carro de luxo. Só mesmo alguém com muito dinheiro e com muito tempo e paciência ainda percorre de carro as ruas de Paris.


Passa o imigrante. Com suas roupas simples e o olhar curioso. A esperança vem logo atrás, na mesma calçada.


Passa a mocinha descolada. Aquela que vive Paris, nas roupas, no cabelo, nas unhas, no mp3 player. Ela tem sorte de ser de lá e sabe disso.


Passam as horas, passa o dia, passa o tempo. Só não passa a minha vontade de continuar em Paris.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Fish and chips


Essa combinação, típica de Londres é vendida em todo lugar. Quando me vi com fome, com pressa e sem grana, nem pensei duas vezes, resolvi dançar conforme a música londrina.


Tínhamos acabado de sair da Tower of London quando vimos duas lojinhas pequenas anunciando o prato. Não sei qual a impressão em outras partes da cidade, mas aquele prato estava delicioso. O filé de peixe era alto e estava impecavelmente limpo e macio. As batatas eram grandes e suculentas. A porção era generosa e não deixou espaço para fome. Estava tudo maravilhoso. A coca gelada veio arrematar a experiência. Muito bom.


Hoje sou naturalista e vegetariana. Quando retornar a Londres, com certeza vou ter que procurar um pouco mais por um local para comer. Mas não posso negar que, na época, eu achei fish and chips em Londres um sucesso!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bonjour, Paris!


Falar de Paris nem sempre é fácil. Temos muitos clichês para utilizar na descrição: é linda, histórica, charmosa (esse é bom!), romântica etc.


Mas mais do que isso, Paris é radiante, glamourosa, alegre e apaixonante.


Conversando com uma amiga que teve a feliz oportunidade de conhecê-la pessoalmente, ela compartilhou comigo desse sentimento: Paris irradia felicidade.


Claro, se você esteve por lá durante um momento ruim da sua vida, ou aconteceu algo lá, que te trouxe muita tristeza, o caso é outro, afinal, como já falei antes, nós fazemos nossa viagem.


Mas se você tem a oportunidade de chegar em Paris bem, com o intuito de desvendá-la e com o coração aberto... aproveite. Permita-se perceber como ela é praticamente um ser vivo, que te transmite as melhores vibrações.


Quando eu era pequena, perguntei uma vez a meu pai se o mar era um ser vivo. Eu ouvia tantas músicas e poemas referindo-se ao mar, que me perguntei se ele, por si só, era uma entidade. Meu pai me deu uma resposta linda, que eu nunca esqueci: ele disse que o mar era vivo, sim. Que ele vivia através dos animais, das plantas e dos corais que existiam nele. Através de todos aqueles seres vivos, que juntos, o compunham, ele existia, como “o mar”.


Acredito que aconteça o mesmo com Paris. Quando reunimos todas as pessoas que ali estão - e você faz parte desse conjunto, quando lá está - Paris vive através delas. A cidade empresta seus lindos prédios, suas cicatrizes históricas, suas ruelas, o Sena, suas pontes e, todos os dias, o nascer e o pôr-do-sol para que todos juntos dêem vida a ela.


E se você se permitir e sentir a vibração de surpresa, admiração, amor, felicidade, paixão, tranqüilidade e tudo mais de bom que a maioria das pessoas por lá, costumam sentir, vai entender do que eu estou falando.

Deixe Paris vibrar através de você. Você não vai se arrepender, certo Mari?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Fado em Lisboa



Uma das coisas que eu fazia questão de ver em Lisboa era uma apresentação de cantores de fado. Procurei nos blogs algumas indicações de lugares mais simples e espontâneos, daqueles onde canta toda a família, sabe? Elegi uma das casas e saí um dia à caça dela. Qual não foi minha decepção quando não consegui encontrá-la. Como tinha escolhido apenas essa, não levei o endereço de outras e fiquei sem opção.


Mas não desisti, voltei ao hotel e peguei um dos folders disponíveis em cima do balcão. Eu sei, eu sei que seria uma casa para turistas, que não se vê a essência portuguesa nessas casas etc. Mas quer saber? Eu adorei. Ainda vou encontrar uma casa menor e mais familiar, como a gente ouve falar que é a cara de Portugal. Mas o Velho Páteo de Sant’ana foi um dos melhores restaurantes onde já comi. Fomos muito bem atendidos desde a chegada, saboreando um cálice de vinho do porto antes mesmo de entrar no salão, uma vez que um dos três cantores que se apresentariam naquela noite estava cantando e, segundo o garçom, as luzes são reduzidas e a circulação de pessoas também. Enquanto isso, podíamos já escolher os pratos principais, para que fossem adiantados na cozinha.


Depois disso, seguiu-se uma noite agradabilíssima, com ótimas apresentações, pratos de-li-ci-o-sos (o melhor bacalhau que já provei), muita atenção do garçom e lindas lembranças.


Meus pais também tiveram oportunidade de experimentá-lo e retornaram com a mesma impressão.


Gastei um pouco mais do que pretendia, mas como diz meu pai: as coisas só são caras quando não gostamos, e nesse caso, valeu muito a pena.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Notre Dame de Paris

Foto retirada do tripadvisor.com

Chegar em Notre Dame, pela primeira vez, é sempre uma experiência única. A fachada imponente te informa que aquele não é um monumento comum, mas um dos prédios históricos mais importantes da Europa.

Mais do que uma igreja, Notre Dame é um marco. Um marco para o crescimento da Paris medieval, ao seu redor. Um marco de resistência a inúmeros conflitos, desde a antiguidade, até o século passado com as Grandes Guerras. Um marco da religiosidade do povo europeu e da força de sua fé.

A Igreja é um enorme santuário. Quando passamos da porta de entrada, o burburinho da rua lá fora desaparece. Há calma e tranqüilidade. Mesmo com todos os turistas curiosos andando para lá e para cá, o ritmo é lento, há algo diferente no ar.

Seguindo em frente, encontramos o altar. Majestoso, imponente. Não há como não se sentir uma criança e desejar entrar numa máquina do tempo para ver quantos acontecimentos importantes já ocorreram ali, naquela nave. É fabuloso.

Há inúmeras imagens em toda a lateral, cada uma com seu espaço próprio de adoração. Há espaço para tudo: velas, orações e corações.

A luz é tênue, filtrada pelos enormes vitrais localizados na parte mais alta das paredes laterais. Todo esse conjunto garante um espetáculo único, rico.

Minha experiência é peculiar. Para mim, Notre Dame é viva. Ela conta histórias, ela guarda fatos, ela tem personalidade, lembranças. Estar dentro daquela construção foi como entrar em um portal, ter contato direto com séculos de acontecimentos e de celebração de fé. Estar ali é ser parte de algo maior, especial.

A receita é simples: depois dos primeiros passos, acostume os ouvidos, diminua o passo, baixe a voz e pode deixar o coração bater mais forte. Você estará em outra dimensão, na dimensão da Notre Dame de Paris.