domingo, 16 de junho de 2013

Esperança


Algumas coisas que eu queria que meu filho conhecesse/experimentasse/provasse/amasse:

O calor no coração que um brigadeiro feito em casa promove, depois de um dia ruim;
A sensação única que os pingos provocam no corpo todo, durante um banho de chuva;
A delícia de se aninhar debaixo de um cobertor, num dia frio;
A maravilha de presenciar de perto, o canto de um pássaro, o quebrar das ondas, a brincadeira de um cachorro...;
O conforto de um abraço apertado e cheio de amor, quando a gente não encontra saída;
A surpresa de perceber que você é capaz de muito mais do que julgava;
O aconchego ao acordar com um gatinho aninhado junto ao seu corpo enquanto você dormia;
O espetáculo dos pingos de chuva caindo na piscina, vistos debaixo da superfície dela;
O mosaico de cores no céu ao nascer ou ao pôr-do-sol;
O frescor de uma brisa que te alcança depois de balançar as folhas de uma árvore;
A melodia das águas correndo no leito de um rio;
A satisfação de perceber que você faz toda a diferença para alguém;
A luz que se acende no seu coração quando vê o sorriso do seu filho;
O prazer de vestir uma roupa recém-passada;
A plenitude de encontrar um grande amor;
A leveza de ser envolvido pela água, durante um mergulho;
O sabor de um bom vinho;
O gosto de um bom queijo;
A intensidade de uma gargalhada;
A magia de acreditar no que não se vê;
A certeza de existir o que apenas se sente;
O prazer de ler um bom livro;
A admiração por quem se quer bem;
A alegria de perceber que você finalmente conseguiu cantar toda a sua música preferida;
A curiosidade de aprender coisas novas;
A complexidade que envolve o poder de entender uma palavra em várias línguas;
A aspereza da areia da praia;
A gratidão de quem se teve o prazer de ajudar;
O amor imenso que eu sinto por ele;
A gratidão de possuir saúde, inteligência e todos os sentidos em alerta para estas e todas as outras grandes maravilhas da vida.

domingo, 2 de junho de 2013

Alma Velha



Eu tenho alma velha.

Gosto de casa de vó e de igreja.
Gosto de sala de cinema.Com pipoca.

Gosto de correr as pontas dos dedos nas lombadas dos livros na estante.

Gostava de acomodar o fone grande e pesado do telefone no ombro, para ouvir as fofocas enquanto eu lavava a louça.

Gostava de não ter de dar satisfação para cada telefonema não atendido ou cada mensagem não respondida, naquele minuto. Naquele segundo.

Gosto de segurar as fotos impressas nas mãos. E arrumá-las no álbum. E contar a sua história, assim.

Gosto de Charles Aznavour e de Edith Piaf.

Gosto de escrever. No papel. Com lápis.

Gosto de postais. Gosto muito, muito mesmo, de receber postais.

Gosto de filmes de época e de fotos em preto e branco.

Gosto de ouvir piano e violino.
Gosto de ouvir o tec-tec da máquina de escrever e o trim-trim do telefone de disco.
Gosto de ouvir o chiado da agulha no disco de vinil, anunciando a música que vai começar.

Gosto do cheiro de livro novo. E gosto do cheiro de livro velho também.

Gosto de não saber que horas são. Gosto de sentir o dia passar.

Gosto de escrever cartas e perceber o sucesso que a surpresa da sua chegada causa nas pessoas. Mesmo que seja por e-mail.

Eu tenho alma velha, mas eu moro num mundo novo.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

O Recife acordou, deu bom dia


O Recife acordou deu bom dia
Encontrou todo o povo nas ruas
Nas pontes, nas praças, se amando
Se encontrando com alegria
No eterno gingado de frevo, ciranda e baião
Batida de coco, maracujá e limão
Vem, vem, vem fazer parte deste cordão
Recife tem um lugar pra você dentro do coração


Composição: Sergio Andrade/Zezinho Franco

O Recife tem me dado bom dia. Nos últimos meses, eu o vi pela minha janela, mantida à distância pelo meu período de cuidados com meu pequeno, que apesar de pertencer à esta cidade mais do que eu jamais pertenci, ainda era muito pequeno para respirar seus ares fora de casa.
 
Nos últimos dias, começamos a fase de descobertas, para nós dois.
 
Tá certo que eu já conhecia o Recife. Mas é diferente andar por aqui, sendo mais um habitante.
 
Não visito, não reparo. Pertenço. Não espio, ou procuro. Eu acho. Não percebo, ou suspeito. Eu sinto.
 
Com todos os problemas de uma grande cidade do Nordeste do Brasil, nunca foi tão fácil ajustar o olhar "pollyannesco" para o cotidiano.
 
O Recife acordou, me deu bom dia, com suas altas árvores à margem da Avenida Agamenon Magalhães; me encontrou cruzando suas pontes, ao redor do mangue; me abraçou com a paisagem linda e o frescor da orla de Boa Viagem.
 
Bom dia, Recife.

Espalhando a semente


Diálogo de alguns anos atrás:

- Amor! Acabei de saber mais uma história de crueldade com animais! Como eu vou poder ter um filho num mundo desses? Como vou colocar uma criança nessa realidade?!

- Você vai sim, amor! Assim, você pode criar mais um que pensa como você e ajudar a diminuir as pessoas que pensam o contrário.

Partilhar é lindo. Multiplicar também.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Felicidade


Somos uma raça fadada à eterna insatisfação. Não a raça humana. A raça humana, habitante dos grandes centros urbanos, no século 21. É o que eu acho.

Sempre falta alguma coisa. O apartamento podia ser num andar mais alto. O carro podia ter uma mala maior. As férias podiam ser num país mais distante. O marido podia surpreender mais. A amiga podia ser menos invejosa. A vizinhança podia ser mais verde. As ruas podiam ser mais calmas etc etc

Eu, como qualquer um aí fora, também tenho minhas frustrações. Queria morar num lugar mais assim e mais assado. Queria ter mais verde na minha janela, de preferência uma casa. Queria ver as árvores da janela do meu escritório. Queria silêncio na minha rua. Ah! Mas eu queria estar perto de tudo também, lógico. E o mais importante: queria isso tudo com o salário que eu ganho atualmente. Easy. 

Mas o fato é que eu estava sempre no aguardo desse momento: quando eu conquistaria essa casa. Ó o perigo.

Assistindo a um programa da TV a cabo há algumas semanas atrás, eu ouvi uma frase que eu até já ouvi antes, com outras palavras, mas que dessa vez bateu mais fundo: "A felicidade é uma escolha. Se você escolhe ser feliz com o que tem, nada vai te derrubar." Ui.

Aí eu cheguei perto da minha janela e espiei. Dei uma boa espiada lá fora. Eu moro em uma das partes mais verdes do Recife. Da minha janela, eu vejo copa de árvores para todos os lados para onde eu olho. Realmente, elas não estão na altura da minha janela, isso porque eu moro no 12º andar, escolhido assim, para ficar longe do barulho da rua. É só fechar a janela que eu estou em outro mundo. Ainda assim, estou perto de tudo, em uma das avenidas mais importantes da cidade.

Fala sério. Sem mais para o momento, Excelência.

Mon amour


Eu achava que ficaria sozinha. E estava bem assim.
Divertia-me, saía com minhas amigas, fazia compras e caminhadas na praia.
A vida era muito boa, era sim.

Mas você chegou. Para mostrar que tudo podia ser melhor.
Você chegou para compartilhar, para ensinar, para experimentar.
Você chegou para iluminar, para curar, para aconchegar.

Juntos, crescemos, sorrimos, amamos, sonhamos e realizamos esses sonhos.

Juntos, somos melhores a cada dia.

Juntos, somos um só, sorridente, feliz e amado.

Juntos, somos amor.

Chove, chuva


Eu estou com medo de ficar em casa sozinha, tamanha a tempestade que se abateu sobre Recife nesse momento.

Todas as luzes da casa estão acesas, pois a nuvem sobre meu prédio é tão espessa que o dia virou noite.

Nessas horas eu me sinto mais jovem... a racionalidade da mulher de 31, deu lugar ao medo da menina de 5. É bom ver que ela ainda vive em mim :)